A gestão autoritária e a probabilidade de sucesso de uma equipe – é vantajoso adotar uma atitude “linha dura”?

Se você ainda não viu o filme “O diabo veste prada” e não conhece ainda a famosa Miranda Priestly, vale a pena conferir e fazer uma análise do seu comportamento perante a equipe. Se você ocupa uma posição superior na hierarquia de sua empresa (proprietário, gestor ou coordenador de equipes) é interessante ser crítico com relação ao próprio comportamento. Será que você tem uma atitude muito autoritária ou muito permissiva? É certo que você deve motivar e orientar a sua equipe, mas quais são os métodos dos quais você se utiliza para fazê-lo?

No filme, Miranda Priestly é editora-chefe de uma renomada revista de moda e contrata Andy, uma assistente interpretada por Anne Hathaway. Miranda é referência no negócio, famosa mundialmente e totalmente intolerante com falhas. Exige que Andy faça o possível e o impossível para cumprir, dentro dos prazos, com os objetivos mirabolantes que impõe a ela diariamente. O filme é uma divertida comédia, mas nos dá muito para pensar do ponto de vista empresarial. Andy consegue crescer muito dentro da revista e percebe que sua capacidade vai muito além do que julgava ser possível. No entanto, quando descobre que um dia poderia se tornar como sua chefe, abandona o barco.

Não é raro que muitos colaboradores se espelhem no seu chefe ou superior para traçar um objetivo de carreira. Ainda que nem todos se tornem este superior, esta forma de se espelhar é fundamental para o bom rendimento e a produtividade da firma. Se um colaborador se espelha em você, certamente ele seguirá com alegria suas diretrizes; isto é, se você não for uma pessoa autoritária e que faz do terrorismo e da grosseria os seus maiores aliados. No filme, Miranda trata todos os seus funcionários de forma grosseira e desagradável e não é raro ver isso acontecendo na vida real.

Por que a gestão autoritária não funciona?

A gestão autoritária não atinge o sucesso que toda empresa almeja porque, como mencionamos, é extremamente desagradável. A rudeza e a falta de tolerância com os erros da equipe espalham energia negativa por todos os cantos da empresa e transforma uma função que deveria ser empolgante em stress, agonia, tristeza, culpa e medo. Gestores devem ser exigentes, mas lembrar que lidam com seres humanos e que somos todos falhos. É interessante acompanhar de perto o trabalho de cada um, tanto quanto possível para se certificar de que todos estão sendo devidamente produtivos dentro da empresa. Evitar o ócio, a falta de vontade e alguns comportamentos duvidosos é fundamental para que todos se comportem da forma que se espera. Porém, punir a equipe diante de todo erro faz com que os olhos de todos se lancem para fora da empresa e busquem melhores oportunidades tão logo apareçam, mesmo que paguem um pouco menos.

A gestão autoritária não funciona porque não retém talentos. Poucas pessoas possuem sangue frio o suficiente para permanecer em um lugar onde são humilhadas, ameaçadas e não são tratadas com respeito. Ao contrário, buscarão permanecer onde são valorizadas. Um chefe autoritário pode perder um notável talento simplesmente porque ele não sabe da sua real importância, devido ao tipo de tratamento que recebe por parte de seu superior. Inúmeros talentos podem ser perdidos simplesmente por este tipo de problema.

Portanto, a gestão deve partir de um princípio motivacional, inclusivo. Ora, é preciso que você mostre a todos que cada um deles é parte importante da empresa e que o seu crescimento está aliado ao crescimento da empresa. A boa gestão deve buscar ambientes agradáveis e felizes de se trabalhar. Só assim talentos valiosos não pensarão duas vezes antes de dizer “não” quando receberem outras propostas. É preciso pensar que você investe, dia a dia, na preparação destes profissionais para desafios cada vez maiores e que poderá perdê-los, junto com todo o seu esforço, simplesmente por uma falha de comportamento que parte de cima para baixo. Portanto, pense nisso! E busque se afastar o quanto puder do estilo Miranda Priestly de gestão.

 

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